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Rejane Raffo Klaes | SOU TNS | Minha Marca na UFRGS

Rejane Raffo Klaes nasceu em Bagé mas, ainda bebê, foi morar com a família em Pelotas, onde também ficou por pouco tempo. Em 1961, antes de completar cinco anos, ocorre uma nova e definitiva mudança, desta vez para Porto Alegre, junto com os avós, Randolpho e Virginia Klaes, responsáveis por sua criação.

Cursou Biblioteconomia na UFRGS, graduação concluída em dezembro de 1979, mesmo mês em que foi contratada para trabalhar na Seção da Aquisição da Biblioteca Central. Nessa época, periódicos estrangeiros eram adquiridos diretamente dos editores, como forma de otimizar os recursos financeiros disponíveis.

A Biblioteca Central completava oito anos de sua criação formal e era dividida em dois setores: o administrativo, localizado no prédio da Reitoria, onde ela atuava, e o de atendimento ao público, hoje sede da Sala Redenção.

Além do serviço de aquisição, Rejane trabalhava junto à direção da Biblioteca Central, colaborando na elaboração de projetos e nos relatórios do Sistema de Bibliotecas. A função a aproximou do conjunto das bibliotecas setoriais da UFRGS, pelo fato de exigir constante contato com todas as chefias das bibliotecas, gerando assim uma visão privilegiada do todo.

Entre 1981 e 1982, Rejane frequentou o primeiro Curso de Especialização em Administração de Sistemas de Bibliotecas, ministrado na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Fabico/UFRGS). Entre 1988 e 1991, cursou o mestrado em Biblioteconomia, com ênfase em Planejamento Bibliotecário, na Universidade de Brasília (UnB).

Em 1993, levou sua experiência à Biblioteca Setorial de Odontologia, que estava se integrando à Rede Nacional de Informação na Área da Saúde, constituindo, à época, a Sub-Rede Nacional de Informação na Área de Ciências da Saúde Oral. Ela conta que eram tempos de modernização em termos de acesso à informação, em especial com o acesso a bases de dados em CD-ROM e alimentação de bases de informação da BIREME, como a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), e o Catálogo Coletivo de Periódicos em Ciências da Saúde, o Seriados em Ciências da Saúde, integrantes da Biblioteca Virtual em Saúde (SeCS).

O período que vai de 1979 à 1991, somado às oportunidades de qualificação, por meio de cursos e participações em eventos, sedimentaram para Rejane não apenas o conhecimento sobre administração de bibliotecas e seu caráter sistêmico, mas também o sentimento de devolver à UFRGS as oportunidades que ela havia lhe proporcionado até então. E este retorno ocorreu via direção da Biblioteca Central, órgão coordenador do Sistema de Bibliotecas.

A cada quatro anos, ocorre a escolha da nova direção da Biblioteca Central. Em 2000, Rejane colocou seu nome à disposição do cargo, tendo sido aceita pelos colegas e reitoria para assumi-lo. Seu objetivo foi dar continuidade ao trabalho das gestões que a antecederam e avançar em termos de qualidade de serviços, ampliar a representatividade do complexo e do conjunto de Bibliotecas Setoriais, priorizando as relações institucionais e a prestação de serviços à comunidade da UFRGS. “Assumi em 27 de outubro de 2000, atuando no cargo até 2004, um período em minha trajetória profissional que muito me gratificou e que, considero, foi relevante para o Sistema de Bibliotecas e para a comunidade universitária”, avalia.

O foco da gestão foi integrar a Biblioteca Central e o Sistema com a administração central e unidades acadêmicas, como modo de fortalecer o papel das bibliotecas da universidade, buscar sua visibilidade, angariar credibilidade e respeito e integrar o Sistema de Bibliotecas em projetos nacionais e internacionais. Neste sentido, em novembro de 2000, Rejane propôs a inclusão formal do Sistema de Bibliotecas da UFRGS no processo de avaliação institucional, solicitação apoiada pelo Conselho Deliberativo da então Secretaria de Avaliação Institucional, passando a integrar o Comitê do Programa de Avaliação Institucional da UFRGS.

No período, integrou a Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias, responsável pela elaboração de políticas e ampliação da representatividade das Bibliotecas Universitárias junto ao MEC e outras instituições. Participou de seminários internos de gestão da Administração Central da UFRGS, onde foram discutidos programas de desenvolvimento institucional, e representeou o Sistema de Bibliotecas nos Simpósios de Diretores de Bibliotecas Universitárias da América Latina e do Caribe, assim como outros eventos regionais e nacionais.

O início da gestão também coincidiu com a criação do Portal de Periódicos da CAPES, em novembro de 2000, com o qual teve a oportunidade de cooperar por 20 anos como help desk, sendo a UFRGS pioneira na implantação desta atividade no Brasil. E, mais tarde, colaborou como instrutora da CAPES, ministrando treinamentos em universidades e institutos de pesquisa em todo o Brasil, bem como treinamentos internos na UFRGS, tendo a Propesq como parceira.

A participação no III Curso de Formación de Directores de Proyectos ETD-Net em 2001 possibilitou a implantação da Biblioteca Digital da Teses e Dissertações da UFRGS, lançada, com o apoio do CPD, em 2002, que passou a integrar o Consórcio Brasileiro de Bibliotecas Digitais de Teses e Dissertações do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. A Biblioteca Digital foi o embrião do atual Repositório Digital da UFRGS (LUME).

Com a preocupação de manter a memória institucional, a exemplo da “Coleção U”, que reunia documentos da administração central da Universidade, foi acertada com a direção da Editora da UFRGS a cessão à Biblioteca Central de dois exemplares de cada obra editada: um exemplar para compor a “Coleção Edit”, como forma de assegurar a memória das edições UFRGS, e outro para biblioteca setorial correspondente ao tema do livro.

A profissional ressalta: “Todo este trabalho só foi possível devido à colaboração ativa dos bibliotecários das bibliotecas setoriais, responsáveis pela qualidade dos serviços prestados, e merecedores do reconhecimento por seu trabalho, mantendo o Sistema de Bibliotecas da UFRGS como referência em biblioteca universitária no Brasil”.

Ao final de 2004, Rejane retornou à Biblioteca Setorial de Odontologia, onde trabalhou até setembro de 2013. Em outubro do mesmo ano, foi transferida para a Escola de Enfermagem, exercendo atividades de bibliotecária junto à Revista Gaúcha de Enfermagem, além de colaborar com os cursos de graduação e pós-graduação em Enfermagem, orientando a comunidade acadêmica sobre como pesquisar em bases de dados.

Seu último expediente na UFRGS foi em 12 março de 2020, curiosa e coincidentemente, o Dia do Bibliotecário. “Sou bibliotecária da geração que viveu, e muito bem, a transição do analógico para o digital, com o advento da Internet, do e-mail, das bases de dados e da mudança do tradicional catálogo em fichas para o sistema automatizado, dos periódicos em papel para periódicos eletrônicos, acessíveis via computador, celulares e tablets”, comenta.

“Creio que, para além da satisfação pessoal pelo exercício da profissão, cumpri, ao longo de 41 anos, a tarefa coletiva de deixar mais um tijolinho na construção do Sistema de Bibliotecas e da própria UFRGS, universidade da qual me orgulharei sempre de pertencer”, finaliza.

Anahi Fros | Comunicação ATENS UFRGS

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