O ano de 2026 inicia com sinais de alerta máximo para o funcionalismo público federal, especialmente para aqueles que atuam nas universidades públicas e que contribuem fortemente para o desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão, zelando pelo bom funcionamento das instituições de ensino como um todo: os técnicos de nível superior.
Vivemos um momento em que a autonomia e a viabilidade das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) estão sendo testadas por dois movimentos políticos simultâneos, que são o sufocamento financeiro das estruturas e projetos e a ameaça persistente de uma reestruturação administrativa que visa à precarização dos servidores.
Golpe no orçamento gera escolhas cruéis para a UFRGS
No esmaecer de 2025, o Congresso Nacional aprovou um corte orçamentário de R$ 488 milhões no orçamento das universidades federais brasileiras para 2026, sendo R$ 44,1 milhões das localizadas em solo gaúcho. Para a UFRGS, o impacto é drástico: uma redução de R$ 14,5 milhões, o que representa cerca de 7,24% da verba de custeio. Para os TNS, esses números não são apenas estatísticas. Eles se traduzem em:
Dificuldade de gestão: menos recursos para manutenção de laboratórios, sistemas de TI e infraestrutura de pesquisa.
Sobrecarga: a redução de contratos de serviços terceirizados (limpeza e segurança) sobrecarrega as chefias e as rotinas administrativas.
Incerteza: o risco de paralisação de projetos de extensão e pesquisa que dependem diretamente da expertise técnica da nossa categoria.
Como bem destacou a reitoria Marcia Barbosa, estamos diante de “escolhas cruéis”. Afinal, quando o orçamento é cortado, a excelência técnica é a primeira a ser posta em xeque. O clima que fica é de incerteza e como se dará essa adequação.
Reforma Administrativa: o impasse que exige vigilância
Paralelamente ao garrote financeiro, a Reforma Administrativa (que tramita sob diferentes siglas, como a PEC 32 e a mais recente PEC 38/2025) continua no tabuleiro político de Brasília. Embora enfrente resistências e impasses na Câmara dos Deputados – especialmente devido à proximidade das eleições de 2026 e à pressão constante das entidades sindicais –, o projeto continua na pauta.
O impasse atual no Congresso não é sinal de vitória, mas de um equilíbrio frágil. Os defensores da reforma ainda buscam brechas para introduzir conceitos de “modernização” que, na prática, podem significar:
Ataque à estabilidade: fragilização do vínculo que protege o servidor de pressões políticas.
Fragmentação de carreiras: criação de novos vínculos que desvalorizam o PCCTAE.
Avaliação punitiva: modelos de desempenho que ignoram as particularidades do trabalho técnico-científico.
É preciso consciência, vigilância e mobilização
Não há coincidência entre o corte de verbas e o desejo de reformar o Estado. Um serviço público desfinanciado é usado como argumento para a entrega de funções estatais ao setor privado. Os TNS precisam estar conscientes de que a defesa da universidade é, também, a defesa da sua carreira e da sua estabilidade.
A ATENS UFRGS Seção Sindical segue atenta aos movimentos em Brasília. Este é o momento de unidade. Informe-se, participe e fique vigilante aos próximos passos do Congresso.
A universidade pública só é forte com servidores valorizados e atentos.




